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A tristeza matou os peixes ...
11Jul2007 22:59:00





A tristeza matou os peixes que nadavam nos teus olhos

Contos & Poemas Apresentado em 29-06-2007

Apresentação

Quando, pela primeira vez li um texto do José Torres, fiquei com a certeza de que tinha lido algo de um dos escritores mais expressivos e fortes no universo da escrita portuguesa. Exagero? Não, de forma nenhuma. Apenas a constatação de que, entre os desconhecidos, quem escreve pode ser tão bom ou melhor que muitos dos que são propagandeados.
“A criação” é o título daquela que foi a minha primeira leitura do autor. Um texto curto (com o tamanho exacto para não cair na asneira vulgar), de traços “bocageanos” e cheio de conteúdo:

“O poeta nu
sentou sobre uma cadeira
o pesado cu
e masturbou um poema
Nasceu o Tu
e tinha acne
Era grande e pesado
cheirava a peixe e partiu
O poeta que o pariu
fui.”

Li-o como uma forma muito própria (brilhante, até!) do autor se apresentar, usando o texto como um óptimo cartão de visita. Nele tudo é torneado e polido pelo contexto, denunciando a habilidade e a arte do poeta no manuseamento das palavras tornando-as (todas) poesia.
O José Ilídio Torres é, podemos dizer, um realizador ímpar de obras escritas. Quem o lê, inevitavelmente, fica a olhar para a sua obra com olhos de ver, ler, sentir, cheirar e saborear. A maestria com que rege a sua orquestra de palavras tem o dom de cativar a leitura pela criatividade, vivacidade e dinâmica da escrita.
Diz, em certo ponto que nasceu poeta:

“Nasci poeta
metade profeta
metade pateta
e não fui o primeiro”

noutro, que amarrotou e chutou a má poesia para longe,

“amarrotei a má poesia
esmaguei-a e chutei-a
para longe
para o mar
que a enrolou
de onda em onda
de vento em vento
de pôpa em pôpa
até cair na areia
moribunda e reles...”


ou que se deita nas palavras,

“...nas palavras me deito
com elas escrevo as noites
verso após verso contando as horas
que as noites demoram a se deitar

nas palavras me deito
com elas me cinjo”

de facto, o poeta é e faz tudo isso e mais... conta histórias. E fá-lo com a mesma medida e arte que usa na poesia.
A sua versatilidade em termos de estilo e forma de texto e temática, faz dele uma espécie de homem-palavra multifacetado, com uma enorme sensibilidade e capacidade para a produção literária, não se amedrontando com temas perigosos ou de difícil equilíbrio numa linha de bom gosto e educação. Leiam-se os seus temas eróticos ou os de crítica mais cáustica e entender-se-á o sentido deste comentário.
O homem destila as palavras, filtra-as e reconstrói-lhes os sentidos. Não há muitos que o consigam fazer com uma amplitude tão grande como o José.
Em jeito de conclusão direi que, quando, por obra do acaso, nos deparamos com um escritor da estirpe do José Torres, que consegue navegar na escrita sem pedir meças a nenhum ilustre, que consegue ser poeta, prosista, intervencionista e amigo que imortaliza os seus amigos com alma e mão de grande escritor... devemos seriamente questionar:
Mas o que é que andamos por aí a ler quando só por acaso se conhecem os nossos grandes escritores?

Manuel Joaquim Matias Saiote (Comunicador)



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Por: 01Nov2007 16:11:18
Olá José,

O Luso Poemas trouxe-me até ao teu cantinho e estou a adorar e que lindo é o que escreves...Parabéns!
Beijinhos
Paula Martins
www.paula-reflexoes.blogspot.com


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